O que você vai fazer?

Nossa inteligência deveria se voltar para a questão de como podemos todos sobreviver e ser felizes sobre este planeta, um planeta lindo, maravilhoso, cheio de recursos que nos fariam viver em absoluta felicidade, se não tivéssemos inventado tantas coisas inúteis para possuir. Aliás, se não tivéssemos inventado o “possuir” em si, e com ele o poder, a política, o dinheiro.

Nossos esforços deveriam se concentrar em como viver sobre o planeta terra, todos em paz, independente de país, etnia. O “sistema” que nós construímos é que está destruindo o planeta. Não se trata de uma “causa natural”. O que está destruindo o planeta são as instituições, a própria noção de “país”, as guerras, tudo o que foi criado pela mente do homem. Temos que usar essa mente para reverter esse processo ou seremos todos destruídos, mais cedo ou mais tarde. Essa estrutura que nós criamos não pode estar correta. Se ela estivesse correta ela seria um abrilhantamento do planeta terra, e não o seu soterramento. Ela seria um abrilhantamento do que é a relação humana, já que somos o único animal dotado de uma consciência capaz de pensar sobre si mesma, avaliar e reavaliar os próprios atos. A gente tinha que ter aprendido alguma coisa que não nos levasse a esse caos em que nos encontramos. Mas nós aprendemos a dominar, através de estratégias de alienação, para obter controle, poder, uns sobre os outros.

Olhando os casos de corrupção no Brasil, você se assusta ao observar o volume de dinheiro acumulado por determinadas pessoas e famílias. Pra que tanto dinheiro? Esse dinheiro não compra felicidade, aliás, não compra nem saúde, porque, se ela faltar, pode não haver tratamento que ajude, por mais caro que seja. E a obsessão pelo poder adoece, adoece irremediavelmente, como a pior das moléstias.

Como é possível pensar a felicidade dentro de um palácio, se ao redor todo o resto for miséria, doença e destruição? Como ser feliz cercado por plantas, animais e seres humanos em condição de sofrimento? Não é possível essa felicidade, só se a pessoa viver drogada, anestesiada cem por cento do tempo. Na fantasia das drogas ela pode viver sempre no mundo que quiser. E o poder é a mais potente das drogas.

Por que nós construímos isso? Essa reflexão é muito importante. Esse momento de parada e reflexão sobre tudo o que está acontecendo aqui agora é muito importante. Lamentavelmente, eu temo que este momento não esteja acontecendo para classes muito importantes do nosso país. O governo continua preocupado com dinheiro e poder. O governo não está entendendo esse novo paradigma, o paradigma da paz, de mais igualdade, de menos necessidades materiais, de como ter comida saudável para todos. Por que tudo é dinheiro, tudo é poder…

Onde é que a raça humana se perdeu dessa forma, onde deixamos de ser irmãos para sermos algozes, carrascos, uns dos outros? Como conseguimos olhar para o lado, para pessoas necessitadas, sem ter o mínimo de compaixão, sem perceber nossa responsabilidade? E pior: sem perceber que a desgraça delas é a nossa? É importante que a gente pare nesse momento e se pergunte quais são nossas reais necessidades. Nós precisamos de mais de uma casa para morar? Mais de um carro para locomoção? Achamos correto que a invenção da mente humana sobre o que é “bom”, “ruim”, “digno” ou “exemplo de sucesso” esteja destruindo e matando milhares de pessoas com a mesma oportunidade de vida na terra?

A terra não é nossa, a terra é um direito de todas as almas que encarnam aqui. Igual. Quem nasceu na favela não tem menos direito sobre a terra do que quem nasceu numa mansão. Nós não temos esse “direito” de propriedade, ele foi uma invenção, não é natural, ele não nasceu com o planeta, ninguém recebeu uma chave, um título para ter preferência em ocupar a terra, nós nascemos em igualdade para ocupar a superfície do planeta e lamentavelmente fizemos o que fizemos. Que Deus nos ajude.

Eu desejo que possamos refletir sobre a nossa própria destruição e que haja tempo de tomarmos uma atitude. Ela há de ser drástica, pois implica em uma reversão total do motor e mudança de direção. Da minha parte, já abri a casa aos amigos que porventura não estejam empregados e não consigam pagar as contas e estou plantando a comida e partilhando com quem me ajuda, para escaparmos dos altos preços e dos agrotóxicos. Eu te convido a pensar o que você pode fazer para salvar, não aos outros, mas a si mesmo.

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